sábado, 16 de julho de 2011

1001 Filmes - #0003 - [1915] O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation)

O Nascimento de uma nação é um filme americano que traz uma evolução muito grande em relação aos dois primeiros filmes presentes na lista, até pelo intervalo de 12 anos em relação ao filme anterior.

Diferente dos anteriores, o filme é um longa metragem. Com 190 minutos de duração, ele apresenta dois momentos distintos que formam a história do filme.

O primeiro momento trata da guerra civil americana, na qual D W Griffith repudia os horrores da guerra, destacando o conflito entre amigos e parentes separados pela guerra civil e vendendo uma posição completamente contrária a qualquer guerra, especialmente guerras civis.

Muita coisa interessante do ponto de vista cinematográfico pode ser vista nessa parte, incluindo alguns efeitos interessantes no "campo de batalha" (como o uso de fumaça para simular tiros ao fundo), que mesmo com um número limitado de figurantes (algo incomum para quem está acostumado aos filmes atuais com dezenas de milhares de pessoas em CG) consegue dar uma dimensão grande para a guerra.

No segundo momento, o filme trata do pós guerra e começa a parte "surreal" do filme. Griffith mostra um cenário alternativo, com a subjugação dos brancos pelos negros e abolicionistas e a partir daí, o filme começa a soar amplamente tragicômico porque a distorção da realidade é tão grande que muitas das frases de ódio contra os negros soam como piadas.

Mas o problema é que os heróis do filme são os futuros fundadores da Ku Klux Kan e daí o filme se torna de certa forma intrigante. Porque da forma que é colocado o "problema", faz sentido a "necessidade" de uma entidade para proteger os "pobres brancos" das agressões e ofensas dos "poderosos negros". Mas ao mesmo tempo a realidade do que foi essa instituição agride a audiência através desse reverenciamento da mesma.

No entanto, apesar de muita gente repudiar o filme pela sua mensagem, esse cenário completamente distorcido e exagerado, aliado ao distanciamento dessa época, faz com que o impacto diminua muito. E sem esse impacto ele se torna um filme pouco acima do ordinário do ponto de vista de enredo.

E ainda que, segundo especialistas, existam diversas evoluções técnicas desenvolvidas por Griffith, o distanciamento em relação aos dois primeiros filmes da lista não permite que se faça distinção entre o que era comum para essa época e o que foi além apenas assistindo aos "1001 Filmes" em ordem.

Assistir a "O Nascimento de Uma Nação" aparenta ser um desafio. A temática, a duração e o fato de ser um filme mudo demandam um preparo mental prévio para assistí-lo, mas o surrealismo absurdo da forma como o tema é tratado faz com que ele se torne mais leve do que o esperado.

Nota: 6,5

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

1001 Filmes - #0002 - [1903] O Grande Roubo do Trem (The Great Train Robbery)

O Grande Roubo do Trem é um filme americano que é conhecido por revolucionar a indústria do cinema na sua época e por ser o primeiro faroeste (fato contestado por alguns).

Como disse, não pretendo falar tanto sobre roteiro para evitar spoilers, mas alguns pontos merecem ser destacados por serem vistos pela primeira vez nesse filme e se tornarem referência para o futuro do gênero. Perseguições a cavalo, duelos sobre o trens, uso de bonecos de pano como "dublês", tiroteio no "saloon" trazem uma sensação de dejà vu mas na época eram coisas completamente novas.

Diferente do primeiro filme da série, não mais temos a sensação de "teatro filmado", especialmente devido às cenas externas e ao movimento de câmera. Isso, unido a algumas técnicas como a montagem paralela mostram uma evolução muito interessante no meio.

Apesar da sua pouca duração (pouco mais de 10 minutos), é um filme que mostra diversas cenas diferentes (14, para ser mais exato) e que se complementam para de fato contar uma história com começo, meio e fim. É notável que essa história é contada apenas através das ações dos personagens, pois não há "falas" (não temos a presença de narrador ou de frases escritas no meio das cenas)

O pioneirismo tanto no gênero como em técnicas cinematográficas justificam a sua presença no livro, e acredito que de fato agregue para qualquer um que goste e tenha interesse por cinema.

Nota: 8,5



1001 Filmes - #0001 - [1902] Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune)

Viagem à Lua é um filme francês. É amplamente inspirado no livro "Da Terra à Lua" de Júlio Verne, e por isso seu roteiro segue bastante a estrutura do livro, ainda que de forma muito resumida (como não poderia deixar de ser por se tratar de um filme de aproximadamente 10 minutos).

Algumas coisas são interessantes de serem observadas, como a presença de um narrador, ao invés de frases escritas intercaladas nas cenas (como é comum nos filmes mudos), e o fato de a grande maioria das cenas ocorrerem em cenários fixos, com a câmera parada filmando. A impressão que dá é que estamos assistindo a uma peça de teatro filmada, o que mostra o quanto ainda estava limitada a visão das possibilidades do cinema.

No entanto, enquanto o filme segue, se destacam o uso de efeitos especiais, muito diferentes do padrão da época, e que certamente serviram de inspiração para filmes vindouros.

Pelo aspecto histórico, e pela adaptação muito interessante de um livro que também foi dos pioneiros no gênero da ficção científica, achei um filme muito interessante para começar essa lista.

Nota: 8,0


1001 Filmes

Um dos meus "projetos de vida" que tenho levado mais a sério é o de ver todos os "1001 Filmes para Ver Antes de Morrer", cronologicamente, tentando entender, apenas como espectador (sem estudo de cinema), as evoluções e mudanças ao longo dos anos.

Só que uma das coisas que mais me irritou ao começar a ler o livro foi a quantidade enorme de "spoilers" nas descrições dos filmes. Entendo a dificuldade de explicar filmes já clássicos e muito conhecidos em um espaço amplamente restrito sem falar de pontos chave, mas como espectador me incomoda muito ler coisas chave sobre o enredo num texto minúsculo e que eu entendo que deveria funcionar como chamariz para o filme (como exemplo, o livro fala a cena final de "Os Vampiros", filme de apenas seis horas e meia de duração).

Por isso, achei interessante falar sobre essa série de 1001 filmes de uma forma diferente. Opinativa, como a maioria dos textos que aparecerão por aqui serão, mas sem citar pontos chave de roteiro.

Isso era pra ter sido a introdução para o primeiro "review", mas acabou ficando grande demais, então vou deixar para o próximo post.